Concordo absurdamente com Ivone. Entretanto
abro um parenteses no que diz respeito a
cultura gay. No meu entender, mais do que
mais um exemplo de homogenização da cultura,
esta ainda revela-se em construção, enquanto
que as outras fazem o caminho inverso
conforme voce colocou perfeitamente),abrem
mão de tradições instituídas, em prol de um
elemento "globalizante". A regra tem sido,
obviamente, a tensão entre o relativismo e
o universalismo nos diversos campos da
atuação humana. No caso da cultura gay,
durante muitos anos nos estivemos
escondidos em "lugares sombrios", fazendo
do puro desejo sexual uma forma de atuação
comum, vejo, por isso mesmo, que resquícios
deste passado recente aparecem nas revistas
gays, que em regra usam do erotismo para
conseguirem leitores, ou das "manifestações
de vivo entusiasmo", citando o Bourdieu,
que são geralmente presenciadas nos
banheirões dos shoppings, cinemões etc.
A conquista de espaços democraticos de
diálogo e paquera, pelo grupo LGBT, são um
importante passo rumo a construção desta
cultura. Entretanto, esta conquista parece
estar atrelada ao puro e simples direito
(senão dever) de consumirmos. Temos
espacos de interação. Mas, para acessá-los,
temos que nos propor a pagar, e pagar caro
por eles. Em Sao Paulo, um dos espaços cuja
interação social poderia se dar de forma
gratuita, acabou por se vincular a estes
resquícios (bastante presentes) de
comportamentos puramente sexuais, que
ficaram dos tempos de grande repressão.
Falo, por exemplo, do autorama. Um espaço
que a princípio visava possibilidade de
interação social entre lgbts, que estariam
protegidos dos rugidos homofóbicos e não
necessariamente seria necessário pagar para
acessá-lo. Infelizmente, ou talvez,
naturalmente, este espaço foi tomado pela
prostituição e pelo tráfico de drogas.
Quando digo naturalmente, refiro-me as
"sombras" do passado de opressão, assim,
manifestação pura de desejo. No caso das
casas de shows, bares, etc. Vemos todos
estes elementos, sob um custo considerável,
visando antes de tudo, o consumo. A cultura
do consumo e do desejo puro e desenfreado,
parecem o cimento que alicerça a construção
da cultura gay, atualmente. Com poucas, mas
expressivas, excessões, considerando-se os
grupos que buscam outros caminhos, que
baseiam-se em políticas de auto-afirmação e
pensam em questões relevantes para tanto.
O que seria uma religião que não exclui
minorias lgbt? Qual seria esta nova família,
constituídas por este tipo de casais? Idéias
como estas, ou por exemplo, de fidelidade,
deveriam ser as mesmas do casais
heterossexuais? Como é o envelhecer gay? E
assim por diante... Diversas questões
possíveis, ao procurarmos a constituição do
que chamaríamos de uma cultura gay, que se
propusesse a ser mais do que desejo e
consumo... Particularmente, também ando um
pouco distante de ambientes lgbt. Pois,
nestes lugares, sinto uma forte pressão
no que diz respeito a beber do cimento
desta cultura, ainda arcaica (sexo, grifes,
gastos, carões). Ando refletindo muito a
este respeito...
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Resposta de Acácio
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Venus - Rafael Dambros
http://www.baixocalao.com/dambros/
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